Fábia Oliveira

Elaine Menezes, ex-esposa de Rogério Menezes, com o leiloeiro - Metrópoles
Elaine Menezes, ex-esposa de Rogério Menezes, com o leiloeiro - Metrópoles · Imagem: Divulgação

“Ele me deu o sobrenome Menezes Nunes, que carrego legitimamente e vou proteger”, diz Elaine Menezes em entrevista à coluna

Ex relata conflitos após morte de Rogério Menezes e diz que honrará legado
Ex relata conflitos após morte de Rogério Menezes e diz que honrará legado · Imagem: Source: www.metropoles.com

Fábia Oliveira

Ex relata conflitos após morte de Rogério Menezes e diz que honrará legado
Ex relata conflitos após morte de Rogério Menezes e diz que honrará legado · Imagem: Source: www.metropoles.com

27/10/2026 14:57

Ex relata conflitos após morte de Rogério Menezes e diz que honrará legado
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A morte do leiloeiro Rogério Menezes, em 22 de outubro, abriu uma nova frente de conflitos familiares e patrimoniais. Em entrevista à coluna Fábia Oliveira, a ex-esposa, Elaine Menezes, questiona a continuidade de anúncios de leilões no site profissional do marido e busca esclarecimentos sobre quem estaria administrando as atividades após o falecimento. Ela também manifesta preocupação com o patrimônio construído ao longo de décadas e afirma que não permitirá que sua história ao lado do empresário seja apagada.

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“Rogério não me deixou apenas lembranças de uma história intensa de sentimentos. Ele me deu o sobrenome Menezes Nunes, que legitimamente carrego com orgulho e que continuarei honrando. Eu participei de sua história, estive ao lado dele nos momentos mais difíceis e ajudei a construir seu legado profissional. Não vou permitir que minha trajetória ao lado dele seja apagada”, disparou ela.

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Ex-diretora executiva das atividades de leilões de Rogério, Elaine afirma que sua relação com o marido envolveu anos de dedicação familiar e profissional. Segundo ela, o objetivo agora é garantir transparência sobre os negócios e preservar os direitos dos familiares.

Nomeado leiloeiro público oficial em 1989, aos 25 anos, Rogério Menezes Nunes recebeu matrícula da Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (Jucerja) sob o número 053/89. Ao longo da carreira, atuou em leilões de veículos, máquinas, equipamentos, imóveis e outros bens, atendendo instituições financeiras, seguradoras, empresas privadas e órgãos públicos.

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O leiloeiro Rogério Menezes se casou com Juliana de Andrade

Reprodução/Instagram

Elaine afirma que participou diretamente da construção dessa trajetória, exercendo funções executivas na administração das atividades. “Eu conheço o valor desse nome, porque também trabalhei por ele. Sei quantos desafios enfrentamos, quantos problemas resolvemos e quanto esforço existiu por trás de cada conquista”, disse.

Preocupação com os filhos e a mãe idosa

Rogério deixou cinco filhos e sua mãe, Dirce Menezes, de 86 anos. Segundo Elaine, a idosa está fragilizada após a perda do filho e precisa de proteção e acompanhamento. A ex-esposa também levanta dúvidas sobre a existência de um CNPJ registrado em nome de Dirce. Ela afirma que pretende esclarecer a finalidade do registro, quem administra a empresa e quais atividades são realizadas em nome da idosa.

“Dona Dirce tem 86 anos, está abalada com a perda do filho e precisa ser protegida. É fundamental esclarecer a existência desse CNPJ, quem o administra e quais atos estão sendo praticados. Tudo precisa ser feito com conhecimento, consentimento e transparência”, falou.

Para Elaine, é importante que os direitos dos cinco descendentes sejam preservados e que eventuais questões patrimoniais sejam esclarecidas pelas vias legais. “Rogério foi um pai, um filho, um profissional que construiu sua carreira desde muito jovem e um homem que deixou uma história. Isso merece respeito”, disse.

Conflitos conjugais e questionamentos sobre patrimônio

Elaine relata que a descoberta de um suposto relacionamento extraconjugal envolvendo Rogério e Juliana de Andrade Souza foi acompanhada de conflitos pessoais, judiciais e patrimoniais. Segundo a viúva, os acontecimentos alteraram profundamente a dinâmica familiar e levantaram dúvidas sobre a administração dos negócios.

Elaine também afirma ter recebido informações sobre um relacionamento entre Juliana e Guilherme Rabello de Moraes, que figura como requerido em uma ação de interdição e curatela proposta por ela. A viúva diz que deseja esclarecer a cronologia dos fatos e eventuais repercussões patrimoniais, mas ressalta que as informações ainda dependem de confirmação.

“Eu quero compreender toda essa sequência. Não estou falando apenas da traição que vivi no meu casamento. Estou falando de acontecimentos que, para mim, precisam ser examinados com seriedade, especialmente pelas repercussões patrimoniais que surgiram posteriormente”.

A viúva também questiona fotografias e publicações atribuídas a Juliana nas quais ela apareceria vestida de branco durante uma cerimônia ao lado de Rogério. Segundo Elaine, as imagens teriam sido utilizadas para apresentar publicamente a relação como casamento, embora o divórcio entre ela e o leiloeiro ainda estivesse em discussão judicial.

Elaine menciona uma estimativa de R$ 800 mil para a celebração e afirma que pretende esclarecer a origem dos recursos e os valores efetivamente gastos. A quantia, contudo, ainda depende de comprovação documental.

“Enquanto Rogério lutava contra um tumor maligno na base do crânio, que lhe provocava dores intensas, eram divulgadas fotografias de uma celebração. Recebi informações sobre gastos muito elevados com essa festa, e considero importante esclarecer a origem dos recursos, os valores efetivamente empregados e as circunstâncias em que tudo aconteceu”, falou.

Doença e últimos dias

Antes do diagnóstico de câncer na base do crânio, Rogério havia passado por uma cirurgia para implantação de uma prótese mecânica na válvula aórtica, em setembro de 2024. Elaine afirma que acompanhou o tratamento e a recuperação do marido. Posteriormente, segundo o relato da viúva, o quadro oncológico se agravou, com complicações clínicas e internação hospitalar. Rogério morreu em 22 de outubro de 2026.

“Eu conheci Rogério saudável e também conheci Rogério doente. Estive ao lado dele em momentos em que sua vida estava em risco. Nada pode apagar esse cuidado, essa dedicação e tudo o que vivi e fiz ao lado dele”.

Elaine também relata dificuldades para ter acesso ao corpo do marido e afirma que atribui a Juliana interferência nas providências relacionadas à despedida e ao velório. Segundo a viúva, diante do clima de tensão, ela optou por não comparecer à cerimônia.

“Existe uma história de casamento que merecia respeito. O mínimo que eu desejava era poder me despedir com dignidade”, falou ela. “Eu preferi preservar aquele momento. Não queria discussão, exposição ou qualquer situação que desrespeitasse sua memória. Minha ausência não significou falta de respeito. Significou preservar a despedida do homem com quem compartilhei parte da minha vida”, completou.

Petição em processo de interdição no dia do velório

Outro episódio mencionado por Elaine envolve uma petição registrada às 17h48min21s de 22 de outubro de 2026, dia da morte de Rogério. A ação de interdição e curatela foi proposta por Juliana de Andrade Souza contra Guilherme Rabello de Moraes e tramita na 2ª Vara de Família da Regional de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.

O extrato processual registra a movimentação no evento 55 e identifica a advogada Paula Mayara Mendes da Silva como representante de Juliana. O documento consultado, porém, não informa o conteúdo da petição nem permite concluir por que ela foi protocolada naquele horário.

“Rogério tinha acabado de ser velado. Enquanto a família ainda vivia aquele momento de despedida, já havia movimentação judicial em outro processo envolvendo Juliana. Isso me causou profunda indignação”.

Elaine afirma que pretende buscar esclarecimentos sobre os vínculos pessoais e eventuais consequências patrimoniais, respeitando os direitos das pessoas envolvidas.

Após a morte do profissional, Elaine diz estar preocupada com anúncios de leilões que continuam aparecendo no site ligado à atividade de Rogério. Ela questiona quem administra as operações e quais providências estão sendo tomadas para garantir a regularidade dos certames e preservar documentos, contratos e demais elementos do acervo profissional.

A viúva também menciona a empresa Plural, que, segundo seu relato, teria ligação com Juliana e passado a participar da administração operacional de atividades anteriormente vinculadas ao leiloeiro. Elaine afirma que pretende buscar esclarecimentos sobre a gestão e a titularidade dos bens e direitos envolvidos.

A atividade de leiloeiro público oficial é regulamentada pelo Decreto nº 21.981/1932 e por normas do Departamento Nacional de Registro Empresarial e Integração (DREI). Elaine defende que a situação da matrícula profissional e a eventual continuidade das atividades sejam examinadas pelas autoridades competentes.

“Rogério construiu seu nome ao longo de décadas. Sua matrícula profissional não pode ser simplesmente utilizada por terceiros como se nada tivesse acontecido. Sua morte exige respeito à legislação, à memória profissional e aos direitos de todos os envolvidos.”

Elaine diz que pretende buscar judicialmente a preservação de contratos, registros comerciais, informações contábeis, comissões, marcas, domínios de internet e bancos de dados, conforme a titularidade e a natureza jurídica de cada item.

“Não vou assistir passivamente à possibilidade de que o patrimônio e o legado profissional de Rogério sejam desfigurados, dilapidados ou utilizados sem a devida transparência. Não estou fazendo uma acusação antecipada. Estou exigindo que os fatos sejam esclarecidos e que a legislação seja respeitada.”

“O legado de Rogério não será esquecido”

Apesar do luto e dos conflitos relatados, Elaine afirma que pretende continuar sua trajetória profissional no setor de leilões. Para ela, preservar a história do marido significa também proteger os direitos dos filhos e garantir atenção à mãe idosa.

“Rogério começou muito jovem, aos 25 anos, em 1989. Construiu uma carreira, uma reputação e uma história. Eu tive o privilégio de compartilhar parte importante dessa caminhada. Agora, tenho a responsabilidade de honrar tudo aquilo que vivemos e também de proteger sua família”.

E conclui: “Rogério me deu uma história e me deu o sobrenome Menezes Nunes, que legitimamente carrego. Ele partiu, mas esse nome continuará comigo. Não apenas no meu registro civil, mas na minha identidade e em tudo o que ainda pretendo construir. O legado de Rogério não será esquecido. Independente da violência que venham tentar cometer contra mim”.