Fábia Oliveira

Em nota exclusiva à coluna, antigos proprietários afirmam que o jogador era vizinho deles e soube do leilão antes mesmo do casal

Fábia Oliveira

22/10/2026 18:23

Adriano Fontes/Flamengo

O casal que tenta recuperar na Justiça uma casa no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, atualmente ocupada pelo atacante Pedro, do Flamengo, apresentou novos esclarecimentos sobre a disputa.

Em nota enviada com exclusividade à coluna Fábia Oliveira, os antigos proprietários contestaram o procedimento que levou à venda do imóvel em leilão e criticaram a postura do jogador, que teria sido vizinho deles.

“Pedro era meu vizinho, já esteve em uma ocasião em minha casa e soube do leilão antes mesmo de mim. Fiquei perplexa em saber que ele havia comprado depois que consegui um RGI para apresentar ao novo advogado. Fiquei chocada”, afirmou um dos proprietários.

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“Compra imoral”
Na avaliação do casal, a venda foi irregular e a aquisição do imóvel pelo atleta foi imoral.
“No meu entendimento, a venda foi ilegal, e compra certamente foi imoral. Quem compraria a casa da vizinha escondido? Quem faz isso?”
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Os antigos moradores também contestaram a origem da dívida que levou à execução do financiamento imobiliário. Segundo eles, as parcelas do contrato firmado com a Caixa Econômica Federal, que deveriam diminuir por seguirem o sistema de amortização constante (SAC), teriam aumentado ao longo do tempo.
O casal afirma que apresentou provas e laudo pericial à Justiça, mas que não houve reconhecimento de irregularidades por parte da instituição financeira. Diante disso, segundo a nota, foi aberto outro processo para apontar novas supostas falhas.
Casal relata retirada do imóvel
Na manifestação, os antigos proprietários também descreveram as circunstâncias em que deixaram a residência. Segundo o relato, duas oficiais de Justiça, dois caminhões de mudança e policiais compareceram ao local, acompanhados pelo pai de Pedro, para acompanhar o procedimento.
O casal afirma que a retirada foi iniciada sem aviso prévio por causa de um suposto erro de digitação nas orientações dadas aos oficiais. De acordo com a nota, a situação foi interrompida após contato com o advogado, e a mudança ocorreu dias depois, dentro do novo prazo judicial.
Antigos proprietários contestam mudanças na casa
Outro ponto levantado diz respeito às alterações feitas no imóvel. O casal afirma ter acompanhado algumas mudanças na residência ao passar pela região e reclama do corte de plantas que, segundo um dos proprietários, faziam parte da casa havia mais de dez anos.
“Cortaram minhas palmeiras que me acompanharam por mais de 10 anos, cortaram meu buganvila rosa que percorria o muro da residência com muita graça e beleza. Modificaram a estrutura da casa. Eu nunca autorizei nada disso”, declarou.
Os antigos moradores sustentam que entregaram a propriedade em perfeitas condições e afirmam que não autorizaram as intervenções.
Na nota, o casal também declarou que a casa permanece vazia e que ninguém teria morado no local desde sua saída. Por isso, argumenta que a eventual retomada da posse não implicaria a retirada de novos moradores.
Após a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em agosto de 2026, os proprietários afirmam ter enviado uma notificação extrajudicial para solicitar a devolução do imóvel. Como o pedido não foi atendido, recorreram novamente à Justiça para tentar recuperar a posse da residência.
“Eu só quero minha casa de volta”, concluiu um dos proprietários.
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Pedro, do Flamengo, retornou de lesão
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Pedro fraturou o braço contra o Racing
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O atleta se pronunciou contra Filipe Luis nas redes sociais
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Entenda o caso
A disputa envolve uma casa no Recreio dos Bandeirantes que foi levada a leilão após os antigos proprietários deixarem de pagar parcelas do financiamento imobiliário firmado com a Caixa Econômica Federal. Pedro, atacante do Flamengo, adquiriu o imóvel no procedimento.
Em agosto de 2026, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou a execução extrajudicial que levou à perda da propriedade. O entendimento foi de que os antigos proprietários não haviam sido pessoalmente notificados para quitar os débitos e evitar a venda do imóvel.
Após a decisão, o casal passou a reivindicar judicialmente a retomada da posse. Os antigos moradores afirmam que notificaram Pedro extrajudicialmente para que a casa fosse devolvida, mas, diante da falta de acordo, ajuizaram uma ação de reintegração de posse na 3ª Vara Cível da Barra da Tijuca, com pedido de liminar.
O processo busca uma decisão judicial que permita aos autores reassumir o imóvel. As alegações apresentadas pelo casal sobre a compra, as alterações na residência e as circunstâncias da saída integram sua versão da disputa.
Leia a nota na íntegra
“Esclarecimentos adicionais sobre a ação de reintegração de posse.Sobre a inadimplência:
A inadimplência aconteceu devido ao descumprimento do contrato estabelecido pela Caixa. As parcelas contratadas pelo sistema SAC deveriam diminuir, e ao contrário, foram aumentando. Mesmo apresentando as provas e laudo pericial, a Justiça entendeu que não havia irregularidades por parte da CEF. Abrimos outro processo apontando novas irregularidades.”
Sobre o leilão:
“Pedro era meu vizinho, já esteve em uma ocasião em minha casa e soube do leilão antes mesmo de mim. Fiquei perplexa em saber que ele havia comprado depois que consegui um RGI para apresentar ao novo advogado. Fiquei chocada.
No meu entendimento, a venda foi ilegal, e compra certamente foi imoral. Quem compraria a casa da vizinha escondido? Quem faz isso?”
Sobre o despejo:
Minha casa foi invadida por duas oficiais de Justiça, dois caminhões de mudança, policiais e a presença do pai do Pedro para acompanhar o meu despejo. Algum ‘erro’ de digitação orientou os oficiais a me retirarem da propriedade sem aviso prévio. Essa violência só foi interrompida após contatar meu advogado, que me assessorou e impediu esse absurdo. Me mudei dias depois atendendo o novo prazo judicial.”
Sobre a casa:
Até hoje a casa permanece vazia. Não há ninguém morando. Nunca ninguém morou lá depois de mim. Não haverá, portanto, despejo de pessoas sobre essa propriedade, como aconteceu comigo. Enviamos notificação extrajudicial, após decisão do STJ de agosto/26, para que eles devolvessem a minha casa, mas não aceitaram. Por isso estamos pedindo judicialmente a reintegração da posse.”
Sobre as obras:
Passando regularmente na região pude acompanhar algumas mudanças vistas em cima do muro. Cortaram minhas palmeiras que me acompanharam por mais de 10 anos, cortaram meu buganvília rosa que percorria o muro da residência com muita graça e beleza. Modificaram a estrutura da casa. Eu nunca autorizei nada disso. Entregamos a casa em perfeitas condições.
Eu só quero minha casa de volta.”


