O último debate dos candidatos ao governo paulista antes do primeiro turno teve tom nacionalizado, com os Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) discutindo o desempenho dos governos de Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL). O evento aconteceu nos estúdios da TV Globo, no Brooklin, zona sul de São Paulo, nesta terça-feira (29/9).O programa começou com Haddad alfinetando Tarcísio pela ausência em outros debates – o governador participou de apenas um evento, o da TV Bandeirantes, até esta terça.Na sequência, o petista questionou o adversário sobre o avanço da facção Comando Vermelho pela região de Piracicaba, no interior paulista. “Você vai continuar negando esse fato?”, perguntou.Tarcísio citou quedas de indicadores de criminalidade e afirmou que a polícia tem combatido o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) no estado. “Na semana passada trouxemos para cá dois criminosos do PCC que estavam na Bolívia”, afirmou.Haddad, então, usou a prisão do ex-vereador Milton Leite (União) para atacar Tarcísio e seu aliado na capital, o prefeito Ricardo Nunes (MDB).“Tarcísio você estava pedindo voto 15 dias atrás para os filhos do Milton Leite”, afirmou, perguntando depois se “ninguém informou que você não devia subir no palanque”. O petista ainda disse que a capital paulista é comandada por Milton Leite e tem um “prefeito sombra”, em referência à Nunes.Tarcísio voltou a usar o argumento de que a relação entre ele e a família Leite era “institucional” e rebateu o ataque, afirmando que Haddad esteve ao lado de uma pessoa ligada ao PCC ao visitar a Favela do Moinho, no centro de São Paulo.O primeiro bloco teve ainda os dois discutindo sobre saúde, com o petista criticando a fila para cirurgias no estado e Tarcísio citando investimentos de sua gestão na área.6 imagensFechar modal.1 de 6Tarcísio em evento de campanha na Igreja Mundial do Poder de Deus no feriado de 7 de SetembroCaiuá Maia/Divulgação Campanha Tarcísio de Freitas2 de 6Haddad anunciou o plano de governo para culturaDivulgação/Diogo Zacarias - Campanha Fernando Haddad3 de 6Fernando Haddad e Lula participam de caminhada em São Miguel PaulistaRicardo Stuckert.4 de 6Flávio acompanha Tarcísio durante agenda em igreja evangélica em SPCaiuá Maia/Divulgação Campanha Tarcísio de Freitas5 de 6Alessandra Ferreira / Metrópoles6 de 6Fernando Haddad (PT)Malu Lopes/MetrópolesLogo depois, os candidatos começaram a nacionalizar o debate, discutindo sobre os governos Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL).Haddad citou o impacto da pandemia na saúde. “Você tem ideia do estoque de procedimentos represados? […] Você sabe a herança que nós recebemos de vocês na saúde?”, afirmou.O ex-ministro da Fazenda de Lula e o ex-ministro de Infraestrutura de Bolsonaro passaram vários minutos debatendo os recursos enviados por seus presidentes ao estado de São Paulo e as políticas econômicas das duas gestões.“Compara os empregos que nós geramos com o que vocês geraram”, afirmou Haddad, para o que Tarcísio respondeu dizendo que “a gente está vendo a economia patinando, as pessoas endividadas, as empresas quebrando”.Em determinado momento, quando Tarcísio citou a crise na Casas Bahia, Haddad lembrou as denúncias de exploração sexual infantil envolvendo o fundador da empresa, Samuel Klein. “Pedófilo deve administrar muito mal sua empresa. Ele que pague”, disse o petista.Nas discussões sobre propostas, os dois debateram sobre a situação das mães atípicas e o transporte na região metropolitana.Tarcísio prometeu reduzir a jornada de trabalho para as servidoras que têm filhos atípicos e disse que irá criar em São Paulo as casas da Mãe Atípica para atender essas mulheres.Sobre transporte, Haddad prometeu criar o Bilhete Único Metropolitano e questionou Tarcísio sobre o modelo. Curiosamente, o governador defendeu uma política tarifária metropolitana, repetindo a ideia ventilada pelo adversário. Ao final do evento, em coletiva a jornalistas, Tarcísio confirmou que irá estudar a implantação do modelo.No terceiro bloco, ao falar sobre educação, houve um momento “torta de climão” após Haddad questionar Tarcísio sobre os indicadores de alfabetização. O governador perguntou por que o Ministério da Educação (MEC) havia dado Selo Ouro para o estado se os indicadores eram ruins. Haddad respondeu que “não fazia ideia do que ele estava falando”.A certificação entregue pelo MEC é feita para reconhecer o compromisso de secretarias com a alfabetização. O estado de São Paulo recebeu o selo, mas a taxa de alfabetização na idade certa, em 58,1%, ficou abaixo da média nacional, de 59,2%.Em resposta à imprensa ao fim do evento, Haddad disse que Tarcísio seguiu sem responder sobre o patamar em que o estado está. “Com todo o respeito, eu dei até uma risada ali porque eu acho que fugir do problema não é bom. Como é que você vai resolver isso?”, questionou.Os dois também debateram sobre Sabesp e concessões, com Haddad criticando as privatizações e Tarcísio defendendo os modelos.Nas considerações finais, Tarcísio citou Flávio Bolsonaro (PL) pela primeira vez, dizendo que o filho do ex-presidente é seu candidato. Haddad também aproveitou o espaço final para defender Lula e atacar Flávio. “Estamos em uma situação crítica e temos um presidente testado e aprovado pela população”, afirmou o petista.Aliados dos dois candidatos acompanharam o debate da plateia. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), sentou ao lado da primeira-dama Cristiane Freitas. O vice-governador, Felício Ramuth (MDB), o candidato ao Senado Guilherme Derrite (PP), o deputado federal Baleia Rossi (MDB), e o deputado federal Ricardo Salles (Novo) também assistira o programa ao vivo.Entre os apoiadores de Haddad estavam presentes o candidato à vice-governador Márcio França (PSB), as candidatas ao Senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), a esposa Ana Estela Haddad e o deputado federal Arlindo Chinaglia (PT).O encontro na TV Globo aconteceu 51 dias depois do primeiro e único debate da disputa até então, na TV Bandeirantes, em 9 de agosto.Tarcísio negou todos os convites para participar de debates desde aquela data. Em vantagem na disputa e com chance de ser reeleito ainda em primeiro turno, o candidato evitou os confrontos que poderiam deixá-lo mais exposto. Oficialmente, a justificativa para se furtar aos eventos era a de que os debates eram “mais do mesmo”.O evento na Globo é considerado um clássico nas disputas eleitorais por acontecer a poucos dias da eleição. Os dois candidatos passaram a terça-feira (29/9) se preparando para o encontro. Leia também São PauloTarcísio chama Haddad de Pinóquio em debate ao falar sobre mães atípicas São PauloEm debate, Haddad usa prisão de Milton Leite para atacar Tarcísio e Nunes São PauloQuaest em SP: Tarcísio mantém 44%; Haddad cai para 24% São PauloAtlas: Haddad tem 40,1%, e Tarcísio, com 53,3%, venceria ainda no 1° turno
















