"O apoio de Trump mais fragiliza do que ajuda Infantino na Fifa”, diz especialista

Crédito: Estadão

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Quatro grandes ligas europeias, Premier League, Bundesliga, LaLiga e Serie A, pedem reforma na governança da Fifa, criticando a concentração de poder na presidência de Gianni Infantino. A pressão aumentou após a polêmica do projeto FIFA Forward Enterprise, que previa investidores privados e foi abandonado. As ligas também questionam o Calendário Internacional de Jogos. Infantino propõe revisão da governança e diálogo com federações para mudanças estruturais, buscando ampliar recursos para o futebol.

Quatro grandes ligas europeias divulgaram um comunicado conjunto para pedir uma reforma na governança da Fifa. Premier League, Bundesliga, LaLiga e Serie A cobraram maior participação dos diferentes setores do futebol nas decisões da entidade, além de limites mais claros para o poder de sua presidência. O movimento ocorre após uma série de contestações às propostas de Gianni Infantino, entre elas a FIFA Forward Enterprise (FFE), projeto que previa a entrada de investidores privados nas operações comerciais da Fifa e acabou abandonado após pressão de federações e confederações.

“O futuro da Fifa importa para todas as pessoas que se preocupam com o futebol, porque nosso esporte não pode crescer em todo o mundo se suas bases forem enfraquecidas”, diz o comunicado.

Comunicado vem em momento de crise da Fifa e Infantino Foto: Gianni Infantino via Insta

As ligas ainda deixam claro que a crítica não é dirigida apenas a Gianni Infantino. O principal questionamento é sobre a concentração de poderes na presidência da Fifa, que, segundo o comunicado, reúne funções regulatórias, comerciais e políticas sem mecanismos de controle e equilíbrio considerados suficientes.

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A pressão sobre a gestão de Infantino aumentou após a polêmica em torno da FIFA Forward Enterprise (FFE), projeto que previa a entrada de investidores privados nos direitos comerciais de torneios da entidade, incluindo a Copa do Mundo. O projeto acabou retirado após reação de federações e confederações.
Em julho, o então diretor de operações da Fifa, Kevin Lamour, classificou a iniciativa como “o projeto de uma única pessoa”. Menos de três semanas depois, em 17 de agosto, a Fifa demitiu o dirigente.
Ligas criticam Calendário Internacional de Jogos
Outro ponto de conflito é o Calendário Internacional de Jogos. As ligas questionam a ampliação dos períodos em que as competições nacionais precisam ser interrompidas e afirmam que as decisões são tomadas sem a participação efetiva das partes diretamente afetadas.
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O comunicado lembra que apenas cerca de 1% dos jogadores profissionais disputa a Copa do Mundo e cita ainda a denúncia apresentada à Comissão Europeia, em outubro de 2024, contra a condução do calendário.
Como resposta, as entidades defendem uma mudança estrutural na Fifa, com a criação de um órgão permanente que reúna federações, ligas, clubes e jogadores e tenha participação efetiva nas decisões da entidade. Também pedem avaliações independentes para projetos de grande impacto e uma separação mais clara entre as funções regulatórias e comerciais da Fifa.
Infantino propõe revisão da governança da Fifa
Em carta enviada às associações-membro, Gianni Infantino reconheceu que a proposta da FIFA Forward Enterprise (FFE) gerou preocupação por ter sido divulgada antes de passar por todas as instâncias previstas. O presidente da Fifa afirmou que o projeto foi retirado e não seguirá adiante, mas defendeu que a entidade continue buscando formas de ampliar seus recursos para investimentos no desenvolvimento do futebol.
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Infantino também propôs uma avaliação externa e independente do atual modelo de governança para grandes projetos estratégicos. Além disso, quer abrir uma consulta com confederações, federações e outras partes envolvidas para discutir mudanças na tomada de decisões da entidade.
Entre os pontos a serem debatidos estão a participação antecipada das partes interessadas e as funções do presidente, do Bureau, do Conselho e do Congresso da Fifa. Eventuais alterações nos estatutos, segundo Infantino, deverão ser submetidas às 211 federações-membro para aprovação.
Ao fim da carta, o dirigente fez um chamado ao diálogo e afirmou que todas as associações têm direito de ser ouvidas. Infantino também disse que o desacordo não deve impedir as conversas e reforçou o compromisso com a independência da Fifa e com os programas de desenvolvimento e solidariedade da entidade.
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