Belo Horizonte – A oferta de mamografias pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Belo Horizonte cresceu 185% nos últimos dois anos. Segundo a Prefeitura (PBH), a média mensal passou de 3.277 exames, em 2024, para 9.359 em 2026. O tempo médio de espera também caiu para dez dias.O aumento da oferta ocorre durante o Outubro Rosa, campanha de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama. Com mais exames disponíveis, uma das principais dúvidas é quando a mulher deve realizar a mamografia.Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda a realização do exame a cada dois anos, prioritariamente para mulheres de 50 a 74 anos que não apresentam sintomas. A orientação, no entanto, pode ser diferente para mulheres que apresentam maior risco de desenvolver a doença.“A mamografia permite identificar alterações ainda muito pequenas, muitas vezes antes de aparecer qualquer sinal ou sintoma. A idade é uma referência importante, mas não é a única informação que levamos em conta. O histórico da paciente e os casos de câncer na família também ajudam a definir quando e como fazer o exame”, explica a Dra. Thereza Rachel Miana, médica radiologista do São Marcos Saúde e Medicina Diagnóstica, em Minas Gerais.Mulheres com maior risco de desenvolver câncer de mama podem precisar iniciar o acompanhamento mais cedo ou realizar exames complementares, como ultrassom e ressonância magnética. A escolha depende das características de cada caso.Por isso, especialistas recomendam que a paciente informe ao médico sobre casos de câncer na família, principalmente quando o diagnóstico ocorreu em pessoas mais jovens. Dependendo desse histórico, também pode ser indicada uma investigação genética.A campanha Outubro Rosa busca reforçar a importância de reservar tempo para consultas, exames e acompanhamento médicoGenética pode ajudar a identificar predisposiçãoEm setembro de 2025, o Ministério da Saúde anunciou mudanças nas diretrizes de acesso à mamografia no SUS. Mulheres de 40 a 49 anos passaram a ter acesso ao exame mesmo sem sinais ou sintomas, mediante decisão compartilhada com um profissional de saúde.Também houve ampliação da faixa etária prioritária para o rastreamento bienal, que passou de 50 a 69 anos para 50 a 74 anos.O câncer é uma doença genética. Para que ocorra, é necessário que uma ou mais mutações, ou alterações genéticas em genes relacionados à doença, surjam e iniciem o processo neoplásico. Essas mutações podem surgir de forma esporádica, devido a fatores ambientais e ao estilo de vida ao longo dos anos, ou podem ser hereditárias, já presentes na formação do indivíduo e com possibilidade de serem transmitidas aos descendentes.Ter parentes que tiveram câncer não significa, necessariamente, que a doença seja hereditária. Algumas características do histórico familiar, porém, podem indicar a necessidade de uma investigação mais detalhada.Segundo a Dra. Fernanda Soardi, consultora em genética e genômica do Lustosa, é importante saber quem teve a doença, qual foi o tipo de tumor e a idade em que apareceu. Essas informações ajudam a identificar quem pode se beneficiar de testes genéticos.“Existem diferentes painéis genéticos. O painel para câncer de mama e ovário hereditário é voltado à investigação de genes associados a uma maior predisposição hereditária aos cânceres de mama e ovários. Já o painel para câncer hereditário e o painel para câncer hereditário expandido permitem uma análise mais abrangente, envolvendo alterações genéticas associadas a diferentes tipos de cânceres. A escolha depende das características de cada paciente e de seu histórico familiar e deve ser feita após avaliação médica”, explica Fernanda.“O teste não determina se a pessoa terá câncer, mas pode identificar alterações que aumentam as chances de desenvolver a doença”Ainda de acordo com Soardi, a investigação pode ser realizada por meio de procedimentos simples e não exige biópsia.“Os painéis genéticos para investigação da predisposição hereditária ao câncer podem ser realizados a partir de uma coleta de sangue ou de material da parte interna da boca (swab bucal), sem necessidade de biópsia. As amostras passam por uma análise genética que busca identificar alterações hereditárias associadas ao desenvolvimento de determinados tipos de câncer. O prazo de entrega varia conforme o exame”, completou.Os resultados podem contribuir para estratégias de prevenção e diagnóstico precoce, inclusive para outros integrantes da família que possam compartilhar uma predisposição genética.“O teste não determina se uma pessoa terá câncer, mas pode identificar alterações que aumentam as chances de desenvolver a doença. A partir do resultado, o médico consegue avaliar se é necessário começar os exames mais cedo, realizá-los com maior frequência ou incluir outros métodos de investigação ou de direcionamento clínico. Essas informações também podem ajudar familiares que compartilham a mesma predisposição genética”, acrescenta Fernanda. Leia também Distrito FederalOutubro Rosa: Sesc-DF oferece mamografia e atendimentos médicos gratuitos É o bicho!Outubro Rosa: palpação em casa ajuda na detecção precoce do câncer em cães SaúdeOutubro rosa: veja 8 mitos e verdades sobre o câncer de mama Conteúdo especialOutubro Rosa: prevenção e diagnóstico precoce salvam vidas Outubro Rosa reforça atenção à saúdeEntre o trabalho, a família e os compromissos do dia a dia, muitas mulheres acabam deixando a própria saúde para depois. A campanha Outubro Rosa busca reforçar a importância de reservar tempo para consultas, exames e acompanhamento médico.Além de manter consultas e exames em dia, especialistas recomendam conhecer o histórico de câncer na família e conversar com o médico sobre possíveis fatores de risco. No caso do câncer de mama, essas informações podem ajudar a definir quando iniciar a mamografia e se existe necessidade de outros cuidados.








