Tudo sobre Inteligência Artificial

ver mais

Governos não deveriam esperar que todos os riscos da inteligência artificial sejam completamente compreendidos para começar a criar salvaguardas, defende a ONU. O alerta está no primeiro relatório temático do painel científico internacional criado pela organização para avaliar os riscos e as oportunidades da tecnologia.

Continua após a publicidade

O documento chama a atenção para ameaças que podem ser catastróficas ou irreversíveis. A discussão ocorre durante a Assembleia Geral da ONU, enquanto Estados Unidos e China se preparam para conversar sobre inteligência artificial.

Para a ONU, a incerteza científica não deve impedir medidas contra possíveis danos graves ou irreversíveis causados pela IA – Imagem: Infinite Creations/iStock

O princípio da precaução

Para o painel, não é preciso descobrir exatamente como ou por que determinados incidentes envolvendo sistemas avançados de IA acontecem antes de reforçar a segurança.

A recomendação recorre ao princípio da precaução. A ideia é que a incerteza científica, por si só, não deve impedir medidas contra possíveis danos graves ou irreversíveis. O conceito foi incorporado à Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, de 1992, e passou a influenciar políticas ambientais e de saúde pública.

O relatório considera esse princípio particularmente importante diante da possibilidade de perda de controle sobre sistemas de IA. Entre os pontos destacados estão:

- mais atenção aos riscos de sistemas avançados;

- mais recursos para segurança da IA;

- maior coordenação entre países;

- mecanismos mais fortes de responsabilização;

- salvaguardas mesmo quando ainda existem incertezas científicas.

O texto também menciona incidentes envolvendo empresas como OpenAI, Anthropic, Google e Meta, incluindo ataques a alvos reais e grupos de agentes assumindo o controle de fóruns de mensagens.
Como a ONU pretende agir
O painel científico é parte de uma estrutura montada pela ONU para discutir a governança da inteligência artificial. Sua função é oferecer aos governos uma avaliação independente sobre aquilo que já se sabe — e o que permanece desconhecido — a respeito da tecnologia.
Ao lado dele está o Diálogo Global sobre Governança de IA. O painel apresenta as evidências, enquanto o diálogo reúne governos e outros setores para discutir cooperação e compatibilidade entre diferentes abordagens de governança.
António Guterres, secretário-geral da ONU, resumiu a posição da organização: “A ação nacional é essencial, mas a coordenação global é indispensável”.
Governos são incentivados a agir antes que exista certeza científica completa sobre os riscos de sistemas avançados de IA. – Imagem criada com IA. ChatGPT/Olhar Digital
EUA e China no centro das conversas
O tema chega à agenda internacional no momento em que Estados Unidos e China se preparam para discutir IA. Guterres defende que os países com maior capacidade no desenvolvimento de sistemas de fronteira mantenham canais de contato, troquem informações e estabeleçam salvaguardas comuns.
Continua após a publicidade
Leia mais:
- Medo de IA destruir empregos é global; pesquisas mostram onde impacto já aparece
- Anthropic, OpenAI, SpaceXAI e Google são acusadas de fazer acordo ilegal para frear avanço da IA
- Hackers que invadiram a OpenAI alertam para problema de segurança na indústria de inteligência artificial
O secretário-geral comparou o desenvolvimento da IA à corrida armamentista entre Estados Unidos e União Soviética durante a Guerra Fria. Para ele, mecanismos de cooperação são necessários para evitar uma disputa que eleve os riscos globais.
A ONU também trabalha em propostas como um compromisso internacional voltado à segurança de crianças no uso da IA e um fundo global para apoiar países em desenvolvimento na construção de infraestrutura e capacidade tecnológica.
Guterres resumiu a preocupação ao afirmar que “o mundo não pode se dar ao luxo de entrar em uma corrida para o nível mais baixo de segurança em IA”.
Continua após a publicidade
A organização busca transformar os mecanismos científicos e diplomáticos já criados em medidas práticas à medida que os sistemas de inteligência artificial avançam.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
Ver todos os artigos →
Tags: IA generativa Inteligência Artificial onu regulamentação Riscos da IA


