Durante discurso, presidente iraniano acusou EUA e Israel de ataques contra civis e criticou atuação internacional em Gaza

23 set 2026 - 11h33

(atualizado às 12h05)

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Resumo

Durante discurso na Assembleia Geral da ONU nesta quarta-feira (23), o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que seu país é vítima de terrorismo e criticou abertamente os Estados Unidos. Em reação imediata às declarações do líder iraniano, a delegação norte-americana abandonou o plenário das Nações Unidas.

Representante dos Estados Unidos deixando plenário da ONU durante discurso de presidente do Irã

Foto: Reprodução/Assembleia Geral da ONU

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, criticou os Estados Unidos em seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta quarta-feira, 23, e disse que a República Islâmica é vítima de "terrorismo". Em resposta, a delegação americana abandonou o plenário da ONU.

Pezeshkian iniciou seu discurso exibindo imagens das vítimas de um ataque a uma escola que, segundo ele, teria sido cometido por engano pelos Estados Unidos e por Israel, deixando mais de 100 estudantes mortos.

"Eu tinha preparado um discurso, mas depois que os Estados Unidos nos descreveu como terroristas, tive de mudá-lo. Eles nos acusam de terrorismo, mas eles são os terroristas, alvejando civis e rompendo leis internacionais", disse ele.

Em seguida, completou: "Os Estados Unidos, usando armas com múltiplas ogivas, alvejaram aquele ginásio esportivo. Eles martirizaram, assassinaram nossos cientistas, nossos homens, mulheres e crianças. Crianças inocentes que, na verdade, não haviam cometido crimes, nem pecados".

O presidente do Irã também mostrou imagens do líder supremo Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra em um ataque dos EUA. Ao abordar a situação na Palestina, classificou Gaza como "uma ferida aberta na consciência da comunidade internacional" e afirmou que o território "continua sendo um símbolo do fracasso dos mecanismos internacionais em impedir o sofrimento da população civil". Segundo ele, enquanto houver "ocupação e injustiça", a resistência continuará.
Segurança reforçada e negociações nos bastidores
A segurança de Pezeshkian durante sua passagem por Nova York para a Assembleia Geral da ONU está sendo feita pelo Serviço Secreto dos Estados Unidos, segundo autoridades americanas ouvidas pela CNN. Outros integrantes da delegação iraniana são protegidos pelo Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado. A operação também conta com agentes de inteligência e detetives da polícia de Nova York e escoltas da polícia rodoviária. A presença da delegação iraniana ocorre em um contexto considerado incomum, já que o país está em guerra com os Estados Unidos.
Paralelamente à Assembleia Geral, autoridades americanas e iranianas mantiveram uma reunião de mais de três horas, segundo o presidente Donald Trump afirmou à imprensa internacional. De acordo com Trump, representantes do Irã conversaram com o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, que classificou o encontro como positivo. Autoridades iranianas confirmaram a participação do chanceler Abbas Araghchi e disseram que a reunião foi mediada por diplomatas do Catar. Trump afirmou ainda que uma nova reunião deve ocorrer em breve.
As negociações também envolvem o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. Um funcionário iraniano disse à agência japonesa Kyodo e, posteriormente, à Reuters, que o país poderia reabrir o estreito em até uma semana caso os EUA adotassem medidas para reduzir a pressão militar e econômica sobre o Irã.
Segundo uma autoridade, a nova posição teria sido aprovada pelo líder supremo Mojtaba Khamenei e pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional, embora veículos iranianos ligados à Guarda Revolucionária tenham negado que tenha havido uma mudança oficial. O movimento ocorre enquanto diplomatas do Catar tentam aproximar os dois países, embora um encontro entre Pezeshkian e Trump ainda seja considerado improvável.
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