Na ocasião, a indicação de Moraes foi criticada pela base petista na Casa, que acreditava que ele poderia agir de forma partidária

23 set 2026 - 04h58

Compartilhar

- Por: Maria Clara Andrade

Alexandre de Moraes foi sabatinado por quase 12 horas em 2017

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Hoje no centro de uma das maiores crises do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes chegou ao cargo de ministro por indicação do ex-presidente Michel Temer (MDB), em 2017. Seu nome foi aprovado após uma sabatina de quase 12 horas no Senado Federal, e com o apoio de 55 senadores.

- Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra

Na ocasião, a indicação de Moraes foi criticada pela base petista na Casa, que acreditava que ele poderia agir de forma partidária, tendo em vista seu histórico político. Até sua indicação, Moraes era filiado do PSDB, e atuava como ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Temer. Anteriormente, foi secretário de Segurança Pública de São Paulo, durante a gestão de Geraldo Alckmin, na época também do PSDB.

Além dos 55 votos a favor da indicação de Moraes, houve 13 contrários e outros 13 senadores não votaram. A votação foi secreta, portanto não é possível listar como votou cada senador. Alguns parlamentares chegaram a se posicionar abertamente sobre a indicação.

Gleisi Hoffmann, então líder do PT no Senado, declarou que a indicação de Moraes seria "prejudicial à democracia", e seu correligionário Lindbergh Farias fez questionamentos ao então sabatinado se ele "teria a isenção necessária" para atuar em casos da Lava Jato.

"É uma indicação no momento em que o governo que o indica está sendo acusado, seus principais ministros e o próprio presidente respondem às investigações. O presidente Temer aparece em várias delações. E mais grave: lideranças também do partido do qual [Alexandre de Moraes] fazia parte até semana passada”, afirmou Lindbergh durante a sabatina.

Por outro lado, o então líder do governo Temer no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) saiu em defesa de Moraes. "A oposição não foi capaz de levantar nenhuma questão substantiva em relação às grandes questões jurídicas do País, em relação aos valores jurídicos defendidos pelo ministro e aos dilemas eventuais do Supremo Tribunal Federal, aos problemas do seu funcionamento. Nada. Ficou repisando um samba de uma nota só: 'ah, foi indicado pelo presidente da República'. É assim a Constituição."

Veja como era o Senado na época da sabatina de Moraes

Em 2017, a composição do Senado era muito diferente da atual. A bancada do PMDB (hoje MDB) era líder isolada, com 21 cadeiras ocupadas em fevereiro daquele ano,. Em seguida vinha o PSDB com 11 vagas e o PT, com 10.

Foto:

Hoje, o Senado ganhou outro desenho, com a inserção de novos partidos, como o PL, que é líder em vagas, com 15 cadeiras ocupadas, e a diminuição das bancadas antes majoritárias, como o MDB e PSDB, com 10 e cinco vagas ocupadas atualmente respectivamente. O PT mantém relevância com nove senadores em exercício, mas caiu para a quarta maior bancada.

STF tem bate-boca, “PF paralela” e pedido de vista no caso Moraes:

Como foi a sabatina de Moraes

A sabatina de Moraes foi marcada por assuntos polêmicos. Na época, senadores levantaram questionamentos sobre a atuação profissional de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e possíveis vínculos de seu escritório com processos em julgamento pelo STF.
Durante a sabatina, o então indicado afirmou que não há vinculação entre o STF e o trabalho de sua esposa, e assegurou que não participaria de votações de processos no qual o escritório dela esteja envolvido.
Atualmente, Moraes está envolvido no maior escândalo da história da Corte justamente pela ligação do escritório da esposa com o banqueiro Daniel Vorcaro e o seu suposto elo pessoal também com o empresário.
Qual relação do escritório da esposa de Moraes com o Master?
A relação entre a banca Barci de Moraes Sociedade de Advogados, de Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master envolveu prestação de consultoria jurídica, programas de integridade e confecção de pareceres técnicos. A prestação de serviços vigorou de fevereiro de 2024 até a liquidação extrajudicial da instituição financeira pelo Banco Central, ocorrida em novembro de 2025.
Os termos contratuais tornaram-se públicos após o ministro André Mendonça retirar o sigilo da Petição 15.556 no Supremo Tribunal Federal, cumprindo solicitação do presidente da Corte, Edson Fachin. O acerto financeiro previa 36 parcelas de R$ 3 milhões líquidos mensais, totalizando R$ 108 milhões livres de tributos. Com a carga fiscal discriminada de 17,73%, a quantia bruta estipulada alcançava R$ 3.646.529,77 por mês, somando cerca de R$ 131,3 milhões ao término de três anos, além de reembolso para despesas operacionais mediante comprovação.
O escritório da esposa de Moraes informou ter produzido 36 pareceres e opiniões legais sobre temas trabalhistas, regulatórios e de crédito, mobilizando 15 advogados próprios e outros três escritórios especializados sob sua coordenação. O trabalho computou 94 reuniões, sendo 79 na sede do banco, 13 com a presidência da empresa e duas videoconferências.
Houve representação processual perante o STF?
A defesa do escritório sustenta que nunca conduziu nenhuma causa para a instituição financeira no STF. Por outro lado, relatórios da Polícia Federal anexados às investigações sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro apontam o nome do ministro Alexandre de Moraes nos metadados de minutas contratuais e registraram diálogos sobre a rotina da instituição.
Fonte: Portal Terra
Compartilhar
TAGS
Política Notícias

