Emissora líder de audiência renuncia ao poder de influenciar milhões de votos às vésperas da ida às urnas

1 out 2026 - 22h02

(atualizado às 22h02)

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- Por: Jeff Benício

Com a ausência de Lula (PT), a desistência em cima de hora de Flávio Bolsonaro (PL), a decisão do STF obrigando a participação de Renan Santos (Missão) e a ordem do TSE de não exibir o púlpito vazio reservado ao petista, a Globo cancelou o aguardado debate a três dias do 1º turno.

É a primeira vez que um confronto entre presidenciáveis, previamente agendado, deixa de acontecer por iniciativa da própria emissora.

O canal não quis repetir o confronto com apenas quatro candidatos — Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) — como ocorreu na Band, em agosto.

Ao desistir do debate, a Globo abre mão de seu capital político. Segundo o CEO da Quaest, Felipe Nunes, que realiza pesquisas para os veículos do Grupo Globo, o evento na emissora é um dos três movimentos mais importantes para decidir o vencedor nas urnas. Os outros dois são o engajamento contra a abstenção de eleitores e o voto útil.

Trata-se de uma derrota para o jornalismo de maior audiência da TV e, ao mesmo tempo, uma perda relevante aos telespectadores, especialmente os milhões de indecisos ou propensos a mudar de candidato.

Mesmo alegando “insegurança jurídica” e “interferência indevida na liberdade dos veículos de imprensa”, nas palavras de César Tralli, que mediaria o evento e fez uma aparição no ‘Jornal Nacional’ para justificar o cancelamento do debate, a emissora sai com imagem prejudicada do episódio.

Transmite a impressão de que não aceita bem as ordens dos tribunais nem ser desprestigiada pelos principais candidatos. A decisão polêmica é especialmente simbólica porque a Globo construiu, ao longo de décadas, uma posição de protagonismo nas eleições presidenciais.

Na GloboNews, comentaristas de política saíram em defesa do canal aberto alegando ter existido uma movimentação de candidatos nos bastidores para interferir no debate e criticando as decisões repentinas do Judiciário, chamadas de "anomalias" por Miriam Leitão.

O cancelamento ganha ainda mais peso porque ocorre após uma rodada de sabatinas, ‘Entrevista com o Candidato’, que foi alvo de críticas pela condução dos entrevistadores, Tralli e Renata Vasconcellos.

Houve momentos de nervosismo, perguntas pouco desenvolvidas e dificuldades dos âncoras para reagir a determinadas respostas dos candidatos.
Caso haja segundo turno, a Globo pretende realizar um debate comandado pela apresentadora Renata Lo Prete, do ‘Jornal da Globo’. Fica a expectativa se vai mesmo acontecer.
César Tralli na entrada ao vivo no fim do 'JN' para comunicar o cancelamento do debate
Foto: Reprodução
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