Igor Gadelha

No primeiro turno das eleições, Flávio concentra doações de empresários do agro, energia e indústria têxtil; Lula tem seguros e ministros

Gustavo Zucchi

04/10/2026 07:00

Arte/Metrópoles

Uma análise do perfil dos doadores no primeiro turno das eleições de 2016 expõe diferenças entre os segmentos que contribuíram com a campanha de Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL).

Entre os principais doadores privados identificados pela coluna, o agronegócio aparece com destaque na campanha de Flávio, enquanto o maior doador de Lula é um empresário ligado ao mercado do biodiesel.

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Candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL)
Vittor Sales/Campanha Flávio Bolsonaro
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O presidente Lula
Reprodução/Youtube
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Partido de Lula quer superar PL nas eleições de outubro
Arte/Metrópoles
Segundo dados colhidos pela coluna no sistema do TSE, Flávio recebeu doações principalmente de empresários e de produtores ligados ao agronegócio, seguido por setores como energia, varejo e indústria têxtil.
Entre os nomes do agro que doaram para Flávio estão Walter Schlatter, Ernst Ferter, Peter Ferter, Paulo Junqueira, Inacio José Webler, Beny Maria Haddad e Antonio Morais dos Santos Junior.
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Juntos, esses empresários do agronegócio doaram pelo menos R$ 1,5 milhão à campanha do candidato do PL.
O setor de varejo e indústria têxtil também aparece entre os principais grupos doadores de Flávio. Os irmãos Flávio, Lisiane e Elvio Gurgel Rocha, ligados ao grupo Riachuelo/Guararapes, doaram juntos R$ 415 mil.
Marco Antonio Branquinho Junior e Marcel Yoshimi Imaizumi, ligados à Vicunha Têxtil, por sua vez, acrescentaram outros R$ 225 mil aos cofres da campanha do primogênito de Jair Bolsonaro.
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Outro grupo relevante é o de energia e combustíveis. Erasmo Carlos Battistella, fundador e CEO da Be8, doou R$ 500 mil a Flávio. Rodrigo de Almeida Pizzinatto, presidente da Ultrapar, contribuiu com outros R$ 100 mil.
O senador também recebeu R$ 500 mil de Fernando de Castro Marques, presidente do grupo farmacêutico União Química, além de R$ 100 mil de Humberto Gabriel Cantu, ligado ao setor de pneus e distribuição automotiva.
Lula tem ministros e menos empresários
Na lista de Lula, os grandes doadores privados identificados são menos numerosos. O maior deles é justamente Eramo Battistella, que doou R$ 500 mil ao petista — mesmo valor que doou para Flávio.
Battistella é fundador e CEO da Be8, empresa que atua na produção de biodiesel e em outros negócios relacionados a energia renovável. Depois dele aparece Pedro Pereira de Freitas, presidente da seguradora Allseg, com R$ 90 mil.
Com isso, considerando apenas os empresários privados cuja atividade foi identificada com segurança, Lula recebeu pelo menos R$ 590 mil de empresários ligados aos setores de biodiesel e seguros.
A lista de doadores de Lula, porém, é formada também por integrantes do governo, políticos, dirigentes de estatais, advogados e acadêmicos.
Entre os nomes ligados ao governo estão diversos ministros. Entre eles, Miriam Belchior (Casa Civil), com R$ 27,9 mil; Alexandre Padilha (Saúde), com R$ 25 mil; Luiz Marinho (Trabalho e Emprego), com R$ 24 mil; Esther Dweck (Gestão), com R$ 20 mil; e José Guimarães (Relações Institucionais), com R$ 13 mil.
Outro nomes com trajetória política também aparecem na relação. Entre eles, está Luiz Sérgio (PT-RJ), ex-deputado federal e ex-ministro, que doou R$ 17 mil.
Há ainda doadores ligados a empresas estatais e bancos públicos. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, doou R$ 20 mil. Jones Alexandre Barros Soares, diretor da Transpetro, contribuiu com R$ 40 mil.
Fernando Paes de Carvalho, ex-diretor da Petros, por sua vez, doou R$ 17 mil. Maria Fernanda Ramos Coelho, ex-presidente da Caixa e atual diretora do BNDES, doou R$ 7 mil.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, fundador do grupo Prerrogativas, doou R$ 50 mil. Outro advogado, Rabih Nasser, professor da FGV Direito SP e especialista em direito empresarial e comércio internacional, contribuiu com R$ 15 mil.


