O influenciador do canal Aviões e Músicas emocionou o país ao admitir que não sabia como contar ao filho de 7 anos sobre sua doença sem cura. Seu falecimento foi comunicado na noite desta quarta-feira (1). Segundo a esposa, o filho decidiu não ir ao velório. Saiba como falar sobre a partida de um ente querido com as crianças e se há uma orientação sobre levar ou não crianças na despedida

A partida do influenciador e especialista em aviação Lito Sousa, criador do canal Aviões, foi comunicada oficialmente na noite desta quarta-feira (1), pelas redes sociais. Aos 59 anos, Lito foi diagnosticado em agosto de 2026 com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma condição neurológica rara, grave e sem cura.

- Lito Sousa: como contar para uma criança que alguém que ela ama vai morrer?

Há pouco mais de um mês, ainda lúcido, mas enfrentando a perda progressiva dos movimentos, ele confessou que não sabia como contar ao filho, Malone, de 7 anos, que iria "virar uma estrelinha". O depoimento emocionou milhões de pessoas.

Mila disse que o filho não vai ao velório do pai — Foto: Reprodução/redes sociais

Nesta manha, a esposa de Lito, Mila Seidl, comunicou que o velório será aberto ao público e disse que o filho decidiu não comparecer à cerimônia. "Só queria fazer um único pedido: não tirem foto. Tudo o que cai na internet, não sai nunca mais, e eu tenho um filho de 7 anos, e eu quero preservar a imagem dele. Aquela imagem que a vê, bonita. A minha maior preocupação é essa. Todas as pessoas são bem-vindas. Só isso que eu peço, para ter esse respeito", disse.

"Ele não vai no velório, não quis e eu achei ótimo, pois eu queria que ele preservasse outra imagem", afirmou. E continuou: "A gente teve muito cuidado para que não tivesse foto vazada dele doente, já nesse finalzinho. Então, quem for, sem fotos. Não façam isso, por favor".

Lito Sousa e a esposa, Mila Seidl, durante recado gravado previamente pelo influenciador — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Crianças x morte

Muitas pessoas se preocupam e até tentam poupar os filhos quando o assunto é sobre perdas e luto. Mas não é preciso ficar com medo: falar sobre a morte com crianças pode ser mais simples do que parece. O primeiro passo é avaliar o que a criança já sabe a respeito da morte e, a partir daí, oferecer informações e responder as dúvidas que surgirem. É muito importante ser honesto e criar uma atmosfera de conforto e abertura para que a criança faça as perguntas necessárias, sempre ouvindo também o que ela tem a dizer.

“Ao perguntar se aquele familiar doente vai morrer, talvez a criança não queira ouvir uma resposta genérica, como 'todos vamos morrer um dia'. Por mais aterrorizante que possa parecer, as crianças são fortes e podem ouvir o necessário para sua idade, afinal, já lidam com a morte, mesmo que os adultos não percebam: elas veem aves, insetos e animais mortos, por exemplo, seja na vida real ou em desenhos”, lembra a psicoterapeuta infantil e mestre em psicologia Mônica Pessanha (SP).
- Luto infantil: como falar sobre a morte com as crianças?
Crianças são ótimas observadoras, elas reparam tudo. Assim, quando o adulto evita falar sobre a morte, mesmo que a criança já tenha notado algo diferente, ela pode entender que trata-se de um “assunto proibido”, o que não ajuda em nada a resolver os conflitos internos dela ou acolhê-la da melhor forma.
Geralmente é mais fácil falar sobre a morte com os filhos quando estamos menos envolvidos. Por isso, quanto antes você encontrar oportunidades para inserir o tema no cotidiano da criança, melhor. “Aproveite a oportunidade para falar sobre flores, árvores, insetos e pássaros mortos, ou resgate histórias dos seus antepassados. Assim, ao vivenciar a morte de familiares próximos, haverá mais chance de manter um diálogo aberto sobre o assunto”, aconselha a psicóloga.
Levar ou não ao funeral?
Essa costuma ser uma dúvida frequente. A psicóloga Isabela Hispagnol, especialista em luto e co-fundadora do site One Life Alive, diz que é importante conversar com a criança e explicar o que é um funeral, dizer que a pessoa vai estar numa caixa diferente, deitada e imóvel; e que ele acontece em um lugar específico para que as pessoas se despeçam; que lá pode haver orações, as pessoas podem relembrar fatos importantes sobre a pessoa que morreu; que pode haver também pessoas chorando...
"Rituais como o funeral simbolizam fechamentos de ciclos, sendo importantes para o processo do luto. Porém, se a criança não quer participar desse tipo de processo, é fundamental que ela escolha outro tipo de despedida", diz.
A especialista em luto, Isabela Hispagnol acrescenta que, mais importante que dizer se os familiares devem ou não levar a criança ao funeral, é reforçar que o desejo dela deve ser respeitado. “Dê à criança a chance de se despedir como quiser. Ela pode, inclusive, fazer um desenho ou mandar um objeto para o funeral, caso não queira ir”, diz a especialista.
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