Especialistas apontam que a derrota de Haddad enfraquece o palanque petista em SP, mas votos consolidados dificultam mudanças no cenário

5 out 2026 - 04h57

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- Por: Vanessa Ortiz

Após derrota em SP, Haddad revela ligação a Tarcisio e afirma que campanha teve ‘alto nível’:

Pela segunda vez consecutiva, Fernando Haddad (PT) foi derrotado por Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. Desta vez, a corrida pelo governo paulista acabou ainda no 1º turno. Na visão dos especialistas ouvidos pelo Terra, esse cenário pode impactar na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela reeleição, mas a cristalização dos votos diminui o efeito negativo.

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Para Rodrigo Prando, cientista político e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a situação de Lula está melhor hoje no maior Estado do Brasil do que estava há quatros anos, quando disputou a Presidência contra Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com o especialista, Haddad veio para a disputa com a missão de garantir, pelo menos, palanque para o presidente no primeiro turno. Se o ex-ministro tivesse conseguido progredir na disputa, Lula teria mais tempo de exposição em São Paulo e o ex-ministro da Fazenda poderia continuar a campanha em prol do presidente petista..

Fernando Haddad venceu em apenas seis cidades do estado de São Paulo

Foto: YURI MURAKAMI/F/2.8 NEWS/ESTADÃO CONTEÚDO

“De qualquer maneira, a derrota pode significar o enfraquecimento do Lula, que pode ter, do outro lado, o governador reeleito no primeiro turno colocando força na candidatura de Flávio”, aponta.

Além da longa hegemonia da centro-direita no Estado, a boa avaliação de Tarcísio era um fator complicador a mais ao plano do PT de ter em Haddad um palanque durante toda a campanha por causa da cristalização dos votos –quando a escolha do eleitor se torna definitiva e difícil de mudar na reta final de uma eleição. No cenário nacional, 87% dizem que não mudam mais de voto.

“Significa que destes 87%, 92% daqueles que votam em Lula não vão mudar o voto. Com relação ao Flávio, 91%. É um cenário muito polarizado no âmbito nacional e que embora possa ter alguma reverberação regional em cada um dos Estados, talvez não seja o suficiente para mexer nesta posição que os dois ocupam”, detalha Prando ao mencionar que o cenário do estado de São Paulo talvez não tenha um peso tão grande.

Adriane Buarque, coordenadora do Esfera Lab, laboratório de pesquisa em comunicação política e pública da ESPM, aponta o mesmo fenômeno, mas vai além. O que prejudicaria Lula, é um conjunto de fatores, como a disseminação da polarização política, que acontece muito dentro das redes sociais, proliferação de fake news, e até a falta de estrutura ideológica que se tinha antigamente.

“Claro que o Lula tem dificuldade de fazer uma campanha assim como Flávio está fazendo porque ele é presidente. O horário gratuito mostrou muito que ele fez, o que ele trouxe de benefício no Estado como um todo. Fora da capital a gente vê que o HGPE [Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral] ainda tem uma força política muito grande”, explica.

A professora aponta que, na visão dela, o ‘tête-à-tête’ com a população poderia ser muito benéfico para a campanha, mesmo com a agenda presidenciável.

“A questão do pastel de feira, de conversar com as pessoas, de ter uma agenda pública dentro da cidade. Eu acho que isso falta um pouco. A gente sabe que ele está fazendo em algumas, mas acho que alguns municípios, principalmente se pensar em São Paulo, que é o maior colégio eleitoral. Acho que, estrategicamente, seria interessante pensar e ter um espaço maior de agenda pública em algumas cidades.”

E não só em São Paulo, mas em outros lugares do País, conforme diz a especialista. Para ela, é necessário mudar a narrativa e o discurso, com um olhar mais amplo para outros Estados em que o PT está forte.
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Fonte: Portal Terra
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