Moeda norte-americana fechou o dia cotado a R$5,19, o maior valor de fechamento desde 28 de agosto

24 set 2026 - 17h12

(atualizado às 17h28)

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- Por: Fabricio de Castro

Resumo

O dólar fechou em alta de 0,47%, cotado a R$ 5,1931, impulsionado pelo cenário externo de aversão ao risco e pelo avanço dos rendimentos dos títulos nos EUA, diante da perspectiva de juros mais altos pelo Federal Reserve. Internamente, a pressão cambial foi reforçada pelo corte na projeção do PIB pelo Banco Central, incertezas eleitorais e saída de capital estrangeiro, o que levou a autoridade monetária a intervir vendendo US$ 1 bilhão em leilões de linha para fornecer liquidez ao mercado.

Às 17h04, o dólar futuro para outubro -- atualmente o mais negociado no ‌mercado brasileiro -- subia 0,52% na B3, aos R$5,1985

Foto: Reuters

O dólar fechou a quinta-feira, 24, ‌em alta no Brasil e próximo dos R$5,20, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, em uma sessão no geral negativa para os ativos de risco. O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,47%, a R$5,1931, o maior valor de fechamento desde 28 de agosto, quando marcou R$5,1961. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 5,39%.

Às 17h04, o dólar futuro para outubro -- atualmente o mais negociado no ‌mercado brasileiro -- subia 0,52% na B3, aos R$5,1985. Após o avanço firme da véspera, em meio à expectativa de novo aumento de juros nos EUA no curto prazo, o dólar ‌voltou a subir ante as demais divisas nesta quinta-feira, ‌incluindo moedas de emergentes como o real, o peso colombiano, o peso mexicano e o rand sul-africano.

A alta do dólar se intensificou no fim da manhã, em sintonia com o fortalecimento dos rendimentos dos Treasuries, em função das preocupações com a inflação nos EUA e a perspectiva de novas altas de juros pelo Federal Reserve.

Após marcar a cotação mínima de R$5,1653 (-0,07%) às 10h03, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,2020 (+0,64%) às ‌12h49, em um momento em que as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) também estavam próximas das máximas ‌do dia e o Ibovespa aprofundava as perdas.

"A taxa dos títulos norte-americanos está bem acelerada, bem acima dos 5%, e o dólar se fortaleceu lá fora também. Isso faz com que o real ‌se desvalorize", comentou à tarde João ‌Oliveira, head da mesa de operações do Banco Moneycorp.
No Brasil, o Banco Central atualizou mais cedo suas projeções econômicas por meio do Relatório de Política Monetária. A expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 passou de 2,0% para 1,8%, enquanto a projeção para o próximo ano é de 1,4%.
A desaceleração da atividade tem sido citada pelos analistas como um dos fatores que favorecem novos cortes da taxa básica Selic, hoje em 13,75%, nos próximos meses.
A perspectiva de uma Selic menor, somada à possibilidade de mais aumentos de juros nos EUA, cuja ‌taxa está hoje na faixa de 3,75% a 4,00%, reduz o diferencial de juros entre os dois países -- algo que pode alterar o fluxo de investimentos para o Brasil, com impactos de alta no dólar.
Os investidores também seguiram atentos à disputa pelo Planalto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os dois aparecem tecnicamente empatados nas pesquisas eleitorais mais recentes. Um novo levantamento do Datafolha será divulgado no início da noite.
No fim da manhã, o Banco Central vendeu US$1 bilhão em dois leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) simultâneos. Ao realizar a operação, o BC aumenta a liquidez no mercado, em um momento de saída de recursos do país antes das eleições de outubro. Na véspera, o BC informou que o fluxo cambial do Brasil em setembro até dia 18 foi negativo em US$7,078 bilhões.
No exterior, às 17h08 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,14%, a 101,270.
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