Nutróloga explica os riscos de contaminação e se há algum benefício no hábito

2 out 2026 - 04h58

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- Por: Lorena Santana, colaboração para o Terra

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Foto: PlayPlus/Reprodução / Estadão

Sérgio Hondjakoff, o eterno Cabeção de Malhação, chamou a atenção do público e dos colegas de confinamento ao comer ovos crus durante sua participação no reality show A Fazenda. A cena acendeu um alerta: consumir ovo cru traz algum benefício real ou é apenas um risco desnecessário?

O principal risco: a salmonelose

Segundo a Dra. Mariana Valini, médica nutróloga do Hospital Sírio-Libanês, o principal perigo de consumir o alimento in natura é a contaminação pela bactéria Salmonella, responsável pela salmonelose.

Diferentemente do que muitos pensam, a contaminação não ocorre apenas do lado de fora. "A infecção pode ser causada tanto pela contaminação da casca quanto durante a formação do ovo, ainda dentro da galinha", explica a nutróloga. Por isso, soluções caseiras não funcionam: não adianta lavar ou higienizar a casca por fora, já que as bactérias podem estar presentes no interior do ovo.

O mito do ganho de massa muscular

Existe um mito de que o ovo cru oferece uma absorção mais rápida e eficiente de proteínas para o ganho de massa muscular. A Dra. Mariana reforça que não há nenhuma vantagem nutricional no hábito. Estudos demonstram que a biodisponibilidade dos aminoácidos da albumina, a principal proteína do ovo, é idêntica ou até superior quando o alimento passa pelo cozimento. Na prática, o cozimento aumenta a digestibilidade da proteína e reduz o risco de contaminação.

Como consumir de forma segura?
A forma mais segura é consumir o ovo depois do processo de aquecimento. "Quando submetemos qualquer alimento in natura ao processo de aquecimento, seja cozinhando, fritando ou assando, o aumento de temperatura mata as bactérias presentes", detalha a médica.
A infecção por Salmonella pode não dar sinais imediatos. De acordo com a nutróloga, os sintomas costumam surgir entre 8 e 72 horas após a ingestão, o que muitas vezes dificulta associar o mal-estar ao ovo consumido dias antes.
Os sintomas mais comuns incluem:
- Febre;
- Dores e cólicas abdominais;
- Diarreia;
- Dor de cabeça, náuseas e perda de apetite.
Se os sintomas aparecerem e persistirem, é importante procurar atendimento médico. Febre contínua, diarreia resistente e, principalmente, não conseguir se hidratar são sinais claros de alerta.
Outros sintomas graves incluem tontura, sensação de desmaio, queda de pressão e sonolência excessiva. Nesses casos, o suporte médico é vital para realizar a reidratação e, quando necessário, iniciar o tratamento com antimicrobianos específicos.
Fonte: Portal Terra
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