A detenção da influenciadora trans brasileira Malévola Alves no Egito chamou a atenção para as dificuldades enfrentadas por pessoas trans no país. A legislação egípcia não oferece um caminho claro e acessível para o reconhecimento legal da identidade de gênero, e autoridades recorrem a leis relacionadas à moralidade pública para perseguir pessoas LGBTQIA+.Malévola foi detida nesta terça-feira (20/10), em Alexandria, junto com uma amiga. O Ministério do Interior egípcio confirmou a detenção das duas após a circulação de vídeos gravados nas ruas da cidade. Segundo as autoridades, elas fizeram gestos e insinuações sexuais e assediaram pedestres.O caso ocorre em um país onde pessoas trans enfrentam obstáculos para alterar o gênero nos documentos oficiais e podem ser alvo de abordagens policiais motivadas por sua identidade ou expressão de gênero. Leia também CelebridadesGoverno do Egito confirma detenção de Malévola por “exibição pornográfica” CelebridadesMalévola Alves foi detida no Egito sob acusação de violar costumes locais CelebridadesInfluenciadora trans Malévola relata desespero após detenção no Egito Lucas PasinMalévola detona MC Mirella por apoiar Flávio Bolsonaro: “Toma vergonha” 5 imagensFechar modal.1 de 5Reprodução2 de 5Malévola Alves.Reprodução/redes sociais.3 de 5A influencer Malévola AlvesReprodução/Redes sociais4 de 5A influencer Malévola AlvesReprodução/TikTok5 de 5Malévola AlvesReprodução/InstagramLeis de moralidade são usadas contra pessoas LGBTQIA+Até 2024, uma brecha na legislação egípcia permitia que pessoas trans alterassem o gênero nos documentos oficiais, embora o procedimento exigisse cirurgia de redesignação sexual. Uma nova diretriz restringiu esse reconhecimento a pessoas intersexo, que nascem com características sexuais que não se enquadram nas definições típicas de masculino ou feminino. No Egito, a intersexualidade é considerada uma doença.As restrições também aparecem na aplicação de leis relacionadas à moralidade pública. Embora o país não criminalize explicitamente a homossexualidade, autoridades recorrem a dispositivos legais sobre a chamada “devassidão” para punir pessoas LGBTQIA+. A repressão se intensificou após a intervenção militar de 2013, que levou Abdel Fattah el-Sisi ao poder.Em 2016, o The New York Times revelou que pelo menos 250 pessoas LGBTQIA+ haviam sido presas nos três primeiros anos do regime. Segundo a reportagem, condenações relacionadas à chamada “devassidão habitual” podiam resultar em penas de dois a 12 anos de prisão. Leia também CelebridadesGoverno do Egito confirma detenção de Malévola por “exibição pornográfica” CelebridadesMalévola Alves foi detida no Egito sob acusação de violar costumes locais CelebridadesInfluenciadora trans Malévola relata desespero após detenção no Egito Lucas PasinMalévola detona MC Mirella por apoiar Flávio Bolsonaro: “Toma vergonha” Em 2014, a modelo gaúcha Jhenifer Dalbosco também foi detida no Egito, sob suspeita de prostituição, prática proibida no país. Ela permaneceu presa por cerca de duas semanas e foi liberada após o pagamento de fiança.Amiga acusa egípcios de “armação”Nas redes sociais, a influenciadora Bruna Tivo, amiga de Malévola, fez uma série de publicações acusando os egípcios de armação. “Jogaram vídeos nossos no Egito em um grupo do Facebook. O problema é sobre ser trans. Estavam tentando armar para a gente. Todos os lugares que íamos éramos filmadas”, disse.Bruna voltou para Paris, na França, antes de Malévola ser detida. Mas, segundo ela, a amiga está sem celular e presa em uma delegacia. Ela ainda detonou as publicações dos jornais locais. “No jornal do Egito elas estão saindo como assediadoras, quando a verdade não é essa. Eles assediaram todas nós o tempo todo”, concluiu.













