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A proposta de Jack Clark, cofundador da Anthropic, é transformar o desligamento de sistemas de inteligência artificial em uma exigência regulatória. O mecanismo teria de ser capaz de interromper ferramentas consideradas perigosas e ainda passar por uma verificação independente.

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A ideia surge em meio aos alertas de pesquisadores sobre os riscos de sistemas cada vez mais avançados. Para Clark, governos precisam discutir regras que garantam às empresas uma forma efetiva de desligar suas IAs, segundo a BBC.

A proposta do cofundador da Anthropic prevê que o desligamento de sistemas de IA possa ser exigido por regras e verificado de forma independente. – Imagem: Mehaniq/Shutterstock

A ideia do “botão de desligamento”

Clark disse que a maioria dos laboratórios de IA já tem maneiras de desligar seus equipamentos. A dúvida, agora, é se esse recurso deveria ser obrigatório por lei.

Deveríamos exigir que as empresas tivessem um botão de desligamento automático? Esse botão de desligamento automático pode ser verificado por terceiros?

Jack Clark, cofundador da Anthropic, à BBC.

Para ele, a discussão também precisa definir como esse mecanismo seria fiscalizado. Uma possibilidade seria permitir que organizações independentes verificassem se o desligamento realmente funciona.

Entre os pontos envolvidos na proposta estão:

- exigir mecanismos automáticos de desligamento;

- permitir a verificação por terceiros;

- autorizar órgãos governamentais a exigir a desativação de sistemas problemáticos;

- criar regras para acompanhar os riscos do avanço da IA.

Projeto já tramita nos EUA
A ideia tem um equivalente no Congresso americano. Legisladores dos Estados Unidos apresentaram o “Kill Switch Act”, projeto que exigiria das empresas uma maneira de desativar ferramentas de IA consideradas problemáticas.
A proposta também daria a determinadas agências governamentais autoridade para determinar que uma ferramenta fosse desligada ou tivesse seu funcionamento limitado.
A iniciativa encontra resistência. O presidente Donald Trump rejeitou tentativas de desacelerar o desenvolvimento da IA e chamou de “farsa” a possibilidade de a tecnologia dominar o mundo ou destruir a humanidade.
No Reino Unido, o governo também rejeitou recentemente a criação de um interruptor de segurança. A justificativa foi que uma medida desse tipo não impediria o desenvolvimento ou o uso inadequado de sistemas em outros países.
Alertas sobre riscos extremos
A discussão ganhou força após uma série de manifestações de pesquisadores da área. Evan Hubinger, da Anthropic, afirmou acreditar que existe uma probabilidade de 10% de a IA causar a extinção da humanidade na próxima década. Geoffrey Hinton considerou essa estimativa plausível em entrevista à BBC.
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A Reuters também relatou a manifestação de Bilal Chughtai, ex-pesquisador da Google DeepMind. Depois de deixar a empresa, ele afirmou acreditar que a IA pode matar toda a humanidade e que o tempo para evitar esse cenário pode estar acabando.
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Chughtai defendeu um ritmo de desenvolvimento que permita identificar e enfrentar riscos antes que ocorram danos extremos. Ele também pediu coordenação entre as empresas para evitar uma corrida acelerada pelo avanço da tecnologia.
O debate sobre segurança da IA envolve governos, empresas e pesquisadores com visões diferentes sobre os riscos. – Imagem: tadamichi/iStock
Nem todos concordam com os alertas
As previsões mais graves não são consenso entre executivos do setor. Clement Delangue, da Hugging Face, e George Arison, do Grindr, questionaram a dimensão atribuída aos riscos da IA e sugeriram que interesses comerciais podem estar por trás de parte desses alertas.
Clark considera perigoso deixar a indústria sem regulamentação. “Estamos jogando dados com riscos imensos. E a questão é que precisamos mudar o rumo desta indústria”, afirmou à BBC.
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A proposta coloca uma questão concreta no centro do debate sobre segurança da IA: se uma empresa for obrigada a desligar um sistema considerado perigoso, quem poderá verificar se o mecanismo realmente funciona?
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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Tags: anthropic Inteligência Artificial regulamentação Riscos da IA Segurança


